A Identificação com Jesus Cristo

Rev. Ademir Aguiar​

“...alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando.”  I Pedro 4,13

Desde o começo da história da Igreja, os primeiros crentes entenderam que o chamado à salvação envolveria uma identificação com o Cristo crucificado e ressurreto. Inicialmente estabelecida em Jerusalém, a recém-nascida Igreja enfrentou discriminação, privações e perseguições. Em vez de retrocederem, firmavam-se ainda mais e oravam por mais ousadia no serviço a Deus.

À medida que o evangelho se espalhava pelo império Romano, gentios convertidos, de várias localidades, também passaram a experimentar as mesmas aflições. Até o século 3 d.C., milhares de cristãos haviam sido martirizados por amor a Jesus. Outros tantos se escondiam em catacumbas sem provisão de alimentos, sem luz solar e despidos de dignidade. Mesmo em meio a toda essa dificuldade, a pregação das boas-novas avançava. Os cristãos encontravam no conhecimento da Palavra DE Deus a sabedoria e o ânimo para perseverarem.

Tal compromisso, entretanto, foi arrefecendo com o passar dos séculos. Charles H. Spurgeon, considerado o “príncipe dos pregadores” do século 19, já em sua época levantava esses questionamentos: “Porventura, a cabeça deve ser coroada com espinhos e os outros membros do corpo embalados no colo delicado da tranquilidade? Deve Cristo passar pelos mares de Seu próprio sangue para ganhar a coroa, e nós andarmos para o céu com os pés secos em sandálias de prata? ”.

Para muitos que se autodenominam cristãos, o sofrimento é a evidência de que não se tem a benção do Senhor. Outros se “decepcionam” com Deus por não terem recebido o tratamento do qual se acham merecedores, e se afastam da comunhão com os santos. Spurgeon continua sua reflexão afirmando que “...a experiência de nosso Mestre nos ensina que o sofrimento é necessário e que o verdadeiro filho de Deus não irá, e não deveria escapar dele mesmo que pudesse ”.

Desta forma, o cristão precisa entender que o verdadeiro triunfo está na cruz e em tudo que nela emana. Diante dessa verdade o mundo perde seu brilho atrativo. Como disse Paulo: “...longe esteja de min gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gálatas 6:14).

Quando as chamas da dificuldade começarem a arder, em vez de se afastar de Deus e de sua Igreja, considere o conselho de Spurgeon: “ Que o pensamento de Jesus o fortaleça enquanto você segue Seus passos. Encontre um doce apoio em Sua compaixão e lembre-se de que sofrer é honroso – sofrer por Cristo é a glória. Os apóstolos se alegraram por terem sido considerados dignos de passar por isso. Na mesma medida em que o Senhor nos dá a graça de sofrer por Cristo e com Cristo, Ele nos honrará. As joias de um cristão são as suas aflições. As insígnias de reis a quem Deus ungiu são seus problemas, suas tristezas, suas angustias. ” E, como bem lembra o amado apóstolo Paulo: “.... Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos...” (2 Timóteo 2,11-12).

Que todo cristão encontre na comunhão com Deus e com a Igreja todo apoio que precisa em tempos de luta, tendo em vista a honra de ser coparticipante dos sofrimentos e da glória do Cristo crucificado e ressurreto. [Texto adaptado e transcrito por Rev. Ademir Aguiar]

Mensagens dos Pastores

“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.” - Filipenses 4,4

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“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores.” - Tiago 5,13
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