A Teologia e a Espiritualidade do Advento - 04/12/2017

                     O advento possui seu conteúdo teológico bem rico; com efeito, ele considera todo o mistério da vinda do Senhor na história até a sua conclusão. Os diversos aspectos do ministério servem de recordação recíproca e se fundem em admirável unidade.

                      O advento lembra, antes de tudo, a ‘dimensão histórico-sacramental’ da salvação. O Deus do advento é o Deus da história, o Deus que veio plenamente para a salvação do homem em Jesus de Nazaré, em quem se revela a face do Pai (João 14:9). A dimensão histórica da revelação recorda a concretude da salvação plena do homem, de todo o homem, de todos os homens; portanto, o nexo intrínseco entre evangelização e promoção humana.

             O advento é o tempo litúrgico em que se evidencia fortemente a ‘dimensão escatológica’ do mistério cristão. Deus nos reservou para a salvação (I Ts 5:9), mas trata-se de uma herança que se revelará apenas no final dos tempos, (I Pedro 1:5). A história é o lugar da realização das promessas de Deus e está voltada para o “dia do Senhor”(1Cor 1:8 e 5:5). Cristo veio na nossa carne, manifestou-se e revelou-se como ressuscitado, depois da morte, aos apóstolos e às testemunhas previamente escolhidas por Deus (Atos 10:40-42), e aparecerá glorioso no fim dos tempos (Atos 1:11). A igreja, na sua peregrinação terrena, vive continuamente a tensão do já da salvação toda realizada em Cristo e o ainda não da sua realização em nós e da sua plena manifestação na volta gloriosa do senhor juiz e salvador.

             O advento, enfim, ao mesmo tempo em que nos revela as verdadeiras, profundas e misteriosas dimensões da vinda de Deus, recorda também o compromisso missionário da igreja e de todo cristão para o advento do reino de Deus. A missão da Igreja em face do anúncio do evangelho a todas as nações é essencialmente baseada no ministério da vinda de Cristo, enviado pelo Pai; sobre a vinda do Espirito Santo, mandado pelo Pai e pelo (ou ‘para o’) Filho.

             A comunidade cristã, com a liturgia do advento, é chamada a viver algumas atitudes essenciais à expressão evangélica da vida: a espera vigilante e jubilosa, a esperança, a conversão. A atitude da espera caracteriza a igreja e o cristão porque o Deus da revelação é o Deus da promessa que em Cristo manifestou toda a sua fidelidade ao homem (2Cor 1:20). Durante o advento, a igreja não repete a parte dos judeus que esperavam o Messias prometido, mas vive a espera de Israel em níveis de realidade e manifestação definitiva desta realidade, que é Cristo. Agora vemos “como que num espelho”, mas virá o dia em que “veremos face a face” (1Co 13:12). A igreja vive esta espera na vigilância e na alegria. Por isso, ora: “Maranata: vem, Senhor Jesus” (Ap 22:17-20).

             O advento, por conseguinte, celebra o “Deus da esperança” (Rm 15:13) e vive a alegre esperança (Rm 8:24-25). O canto que caracteriza o advento, desde o primeiro domingo, é o do Salmo 25: “A ti, Senhor, eu me elevo, ó meu Deus. Eu confio em ti, que eu não seja envergonhado, que meus inimigos não triunfem contra min! Os que esperam em ti não ficam envergonhados”.

             Deus que entra na história põe em causa o homem, questiona-o. A vinda de Deus em Cristo requer continua conversão: a novidade do evangelho é a luz que exige despertar pronto e decidido do sono (Rm 13:11-14). O tempo do advento, sobretudo através da pregação de João Batista, é convite à conversão para preparar os caminhos do Senhor e acolher o Senhor que vem. O advento, enfim, educa para viver a atitude dos ‘servos de Javé’, mansos, humildes, disponíveis, e que Jesus proclamou bem-aventurados (Mt 5:3-12).

Mensagens dos Pastores

“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.” - Filipenses 4,4

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“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores.” - Tiago 5,13
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