Santidade e culto

Rev. Marcelo Smargiasse

“Fala a toda a comunidade dos israelitas. Tu lhes dirás: Sede santos, porque eu, Yahweh vosso Deus, sou santo.” Levítico 19,2 (BJ)

“Yahweh, quem pode hospedar-se em tua tenda? Quem pode habitar em teu monte sagrado?” Salmo 15,1 (BJ)

Esses dois textos provocam nossa reflexão sobre o caráter e aplicação da santidade. Como é comum relacionar a santidade à índole pessoal, marcadamente diferenciada por uma conduta que não é seguida pela grande maioria, nós, cristãos, podemos ser levados a achar que a santidade de que a Bíblia nos fala tem mesmo a ver somente com uma relação vertical entre nós e Deus.

Fica parecendo que santidade tem a ver com mudanças profundas de comportamento, ruptura de hábitos antigos e desprendimento dos vícios.

Certamente não podemos negar a ação do Espírito Santo em nossas vidas e, assim, podemos pensar que santidade espiritual também pode significar tais mudanças.

No entanto, os dois textos acima transcritos nos convidam a uma reflexão mais global. Não há santidade que não tenha a ver com o próximo. Não podemos pensar na possibilidade de desenvolvermos uma vida de santidade, ou mesmo de espiritualidade aguçada, que não reflita em nossas atitudes com o nosso próximo. Em Levíticos 17-26, a chamada “Lei de Santidade”, ou “Código de Santidade”, os aspectos de santidade são muitos, às vezes rituais, outras vezes sacerdotais e proibitivas quanto a certas condutas. Porém, todo o capítulo 19 – parte central desse código – fala de uma santidade que Deus requer de seu povo, mas esta mesma santidade está vinculada a atitudes com o próximo. Veja, por exemplo: temor ao pai e à mãe (v.3); observância do sábado como dia de descanso (v.3); não se voltar para falsos deuses, nem construí-los (v.4); sacrifícios (v.5-8); colheita – não fazer a rebusca, ou seja, deixar o que não foi colhido para os pobres, viúvas, órfãos e estrangeiros (v.9s); não cometer rapto, mentir, agir com falsidade, jurar em falso em nome de Yahweh (v.11s); não explorar o próximo e pagar devidamente o seu salário (v.13); respeito aos deficientes (v.14); ter um julgamento justo (v.15s). Uma coisa é importante ressaltar: o modelo desta santidade exigida é o próprio Yahweh, que agiu com misericórdia, graça e amor para com o povo que era convidado a imitá-lo.

O Salmo 15 é muito importante também, pois reflete, nesta mesma linha de pensamento, a importância do culto e do lugar sagrado destinado ao culto. A pergunta por quem pode habitar tal lugar tem como resposta todo aquele que coloca em prática os preceitos estabelecidos no código de santidade de Levítico e dos Dez Mandamentos, que podem ser resumidos como os versículos 2 e 3 apresentam: “quem anda com integridade e pratica a justiça: fala a verdade no coração, e não deixa a língua correr; em nada lesa seu irmão nem insulta seu próximo”. Não há culto santo sem que não se leve em conta o próximo.

É como se disséssemos que não há santidade sem justiça, amor, misericórdia e graça para com o próximo, e como se refletíssemos que se essas coisas nos faltam, não estamos imitando o nosso Deus – o modelo de nossa santidade.          

O convite que os dois textos nos fazem é para que exercitemos nossa santidade, imitando o nosso Pai e agindo com justiça, misericórdia, graça e amor para com o nosso próximo. Nosso culto é nossa vida, assim como a santidade que de nós é requerida por Deus.

Que Deus nos ajude a imitá-lo e a servi-lo, servindo o nosso próximo. Amém.

Mensagens dos Pastores

“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.” - Filipenses 4,4

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“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores.” - Tiago 5,13
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