A Opção Certa - 26/08/2018

Os textos litúrgicos das últimas semanas prosseguem no desenrolar do episódio do pão em João 6. Na leitura de hoje (João 6,56–69), vemos o desfecho. No texto anterior (João 6,51–58), vimos como Jesus se apresentou como o “pão da vida” e proclamou que estava oferecendo sua carne como alimento para a vida do mundo. Muitos não “engoliram” isso, pois “essa palavra é dura demais” (6,60). Dura, não apenas pela dificuldade de compreensão (alguns falavam até em antropofagia), mas sobretudo por causa das consequências práticas. Estranharam o que Jesus disse a respeito de sua carne. Estranhariam muito mais ainda sua “subida para onde estava antes”, sua glorificação, pois essa se manifesta na “exaltação” de Jesus... no alto da cruz, quando ele revela plenamente o amor infinito de Deus, seu Pai. Só pelo Espírito de Deus é possível compreender isso (João 6,52–53). É difícil “alimentar-se” com a vida que Jesus nos propõe como caminho, com aquilo que ele disse e fez, sobretudo, com o dom radical de sua vida na morte —, pois tudo isso significa compromisso.

O texto de Josué 24,1–2a.15–17.18b dá um exemplo de compromisso. O povo de Israel, ao tomar posse da terra prometida, teve de escolher com quem ia se comprometer, com os outros deuses ou com Iahweh, que os tirou do Egito. Visto que Iahweh mostrou do que ele era capaz, optaram por ele (Josué 24). Optar significa “decidir-se”, “não ficar em cima do muro”. É dizer “sim” ou “não”.

Jesus põe os seus discípulos diante da opção por ele ou pelo lado oposto. “Vós também quereis ir embora?” E Pedro responde, em nome dos Doze e dos fiéis de todos os tempos: “A quem iríamos? Tu tens palavra de vida eterna.”. O que Jesus ensina é o caminho da vida eterna, de comunhão com Deus para sempre. Foi para isso que Jesus reuniu em torno de si os Doze, que representavam o novo Israel, o povo de Deus, para que o seguissem pelo caminho. Para que constituíssem comunidade, comungando da vida que ele dá pela vida do mundo.

Nosso ambiente parece recusar essas palavras de vida eterna. Por diversas razões. Uns porque querem viver sua própria vidinha, sem se comprometer com nada, outros porque preferem um caminho próprio, individual... O difícil da palavra de Jesus consiste nesse compromisso concreto. Ao longo dos séculos houve quem tornasse o cristianismo difícil por meio de penitências e exercícios, até reprimindo e deprimindo. Mas a verdadeira dificuldade é abdicar da autossuficiência e entregar-se a uma comunidade reunida por Cristo para segui-lo pelo caminho da doação total. Só que este caminho é também o caminho da “perfeita alegria”.

Mensagens dos Pastores

“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.” - Filipenses 4,4

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“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores.” - Tiago 5,13
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